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Saúde Mental na Infância e Adolescência | Vídeo

Websérie 05/03/2018
Daniela Araújo, psicóloga e coordenadora do Núcleo InfantoJuvenil

Transtornos mentais, quando surgem na infância e na adolescência, podem impactar todo o desenvolvimento do indivíduo. Perceber os sintomas e procurar ajuda especializada é essencial para estabelecer um diagnóstico precoce e evitar prejuízos futuros.

No sétimo vídeo da websérie DESMISTIFICANDO A SAÚDE MENTAL, que tem como objetivo estimular o debate e aumentar o conhecimento sobre os transtornos mentais, reunimos a equipe do Núcleo Infantojuvenil da Holiste para falar mais sobre saúde mental na infância e adolescência.

Participam do vídeo Daniela Araújo (psicóloga), Mateus Freire (psiquiatra), Nadja Pinho (psicopedagoga e musicoterapeuta), Itatiara Xavier (terapeuta ocupacional) e Elia Cardoso (arteterapeuta).

SAIBA MAIS SOBRE O NÚCLEO INFANTOJUVENIL DA HOLISTE

 

ASSISTA O VÍDEO SAÚDE MENTAL NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

FASES DE MUDANÇA E APRENDIZADO

Infância e adolescência são períodos de grandes transformações, sejam elas físicas ou comportamentais, que influenciam diretamente na formação da personalidade da pessoa. Essas mudanças afetam não somente as crianças e os jovens, mas as pessoas à sua volta, exigindo muita atenção dos pais, familiares, professores e amigos.

“Existem formas distintas de manifestação da angústia e do sofrimento, desde comportamentos como ansiedade, agressividade e isolamento, até transtornos mais severos, como TDAH, anorexia, autismo, depressão e tentativas de suicídio.  É um período onde muitas questões aparecem e, às vezes, as crianças não conseguem lidar com isso sozinhas. Até mesmo os pais não dão conta de dar o suporte adequado, sendo necessária a ajuda de um profissional”, explica Daniela Araújo, psicóloga e coordenadora do Núcleo Infantojuvenil da Holiste.

Entender a individualidade de cada um também pode-se mostrar um desafio, já que nessa fase a personalidade ainda está sendo formada:

“Temos crianças muito agitadas, inquietas, que podem ser precipitadamente taxadas de hiperativas. Mas, tem uma determinada fase da criança que é importante querer experimentar tudo ao seu redor, ela não senta porque quer brincar, não se alimenta porque a brincadeira é mais interessante, para ela, naquele momento.  Isso faz parte do desenvolvimento normal e natural; o que precisamos ficar atentos é quando esse comportamento sai do controle e causa prejuízos ou sofrimento à criança.  É preciso dar tempo para as coisas se acomodarem e, acima de tudo, entender e respeitar a individualidade de cada um” – detalha Itatiara Xavier.

 

CUIDANDO DESDE O COMEÇO

“Quanto mais cedo você inicia o tratamento do transtorno mental, menos danos ele vai causar” – afirma o psiquiatra Mateus Freire. Isso se deve à plasticidade do cérebro das crianças e jovens, ainda em fase de formação, o que reflete num maior potencial em superar problemas de ordem psíquica, quando comparados a adultos e idosos.

“A maioria dos transtornos mentais presentes nos adultos se inicia na juventude. É muito comum a correlação entre um sofrimento na infância e um transtorno na idade adulta.  Por isso não devemos negligenciar o cuidado na infância e adolescência, pois além de crianças e adolescentes mais saudáveis, com o tratamento precoce teremos adultos mais saudáveis”, acrescenta o psiquiatra.

 

UM AMBIENTE FEITO PARA ACOLHER

Levando em consideração que crianças e adolescentes não apresentam a capacidade simbólica de falar ou se expressar como um adulto, é necessário construir meios que viabilizem o vinculo e interação com o profissional.

“Dispomos de um espaço com recursos lúdicos e diversificados, planejado especificamente para o atendimento de crianças e jovens.  Detalhes como um espelho, por exemplo, permitem trabalhar questões ligadas a imagem, a relação com o eu e o outro, a diferenciação”, explica a psicóloga Daniela Araújo.

A psicopedagoga e musicoterapeuta, Nadja Pinho, acrescenta “Quando a criança entra nesse espaço ela fala – isso aqui é meu, essa sala é minha – aí trabalhamos questões como o egocentrismo, a apropriação, autonomia.  É muito bom para o indivíduo estar em um lugar que foi feito para ele, pensando nele

Nem sempre a abordagem direta é a melhor estratégia para lidar com o público infanto-juvenil.  O ambiente planejado e adaptado para esse público permite interagir de diversas formas, é o que explica Mateus Freire.

“Na psiquiatria, muitas vezes conseguimos interagir com a pessoa por outras vias além do diálogo, especialmente se tratando de crianças e adolescentes.  As vezes consigo interagir melhor com uma criança enquanto ela desenha, lê um livro ou joga videogame.  Por isso, quanto mais recursos e informações tivermos, mais fácil será estabelecer o diagnóstico e chegar nos objetivos do tratamento”.

 

ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR – AMPLIANDO OS OLHARES

O público infantojuvenil precisa de um olhar e abordagem diferenciados, devido às particularidades e complexidades que, naturalmente, fazem parte dessas fases da vida.

Assim, é fundamental que a equipe seja composta por profissionais de várias especialidades, para que o jovem seja avaliado em diferentes dimensões.

“A primeira fase do trabalho é entender o que está acontecendo, o que leva aquela criança a estar ali.  A partir daí, inicia-se o processo de intervenção ou encaminhamentos:  se é uma questão da área do comportamento, entra o psicólogo; se estiver relacionado ao aprendizado, é indicado um psicopedagogo; se é algo que possa ser aliviado com a música ou a arte, por exemplo, encaminha-se a um musicoterapeuta ou arteterapeuta”, explica Nadja Pinho.

Itatiara Xavier completa, destacando os ganhos do trabalho com o Núcleo: “É aí que está o ganho nesse tipo de atendimento.  Através da discussão em equipe, construímos o caso coletivamente, aumenta-se a possibilidade de respostas ao problema apresentado”.

 

Psicologia

“Primeiro existe a escuta e o acolhimento, seja do familiar ou do paciente.    O espaço oferecido pelo psicólogo é para que eles expressem suas questões, seja com um jogo, um fantoche ou brincando de casinha para falar das relações familiares. O tratamento será especifico para cada um, pois todos têm uma história própria”, explica Daniela Araújo.

Psiquiatria

Existe uma ideia equivocada que o atendimento com o psiquiatra vai resultar sempre em prescrição de remédios. Não que exista um problema em tratamentos com medicamentos, mas o papel do psiquiatra deve ser percebido como um guia, que através do diagnóstico consegue identificar quais caminhos o tratamento deve seguir”, destaca Mateus Freire.

Psicopedagogia

“Nosso campo de atuação é a aprendizagem.  Primeiro, é necessário entender que as pessoas aprendem de forma diferente, não se trata de um processo linear ou homogêneo, e isso deve ser respeitado.     Além disso, temos crianças e adolescentes que têm transtornos de aprendizagem como discalculia ou dislexias. Em todos os casos, as dificuldades podem ser avaliadas, orientadas e acompanhadas.  Não é necessário fazer dessa situação um problema ainda maior”, detalha Nadja Pinho.

Terapia ocupacional

“Tudo que for da rotina ou da vida diária de uma pessoa será elemento de intervenção da terapia ocupacional.  No caso de crianças, por exemplo, as dificuldades para desenvolver as habilidades de vestir, escovar os dentes, amarrar o cadarço, são cenários para o trabalho da TO.  Avaliamos e identificamos os componentes que dificultam as atividades – pressão, atenção, movimento de pinça – adaptamos e treinamos as habilidades para facilitar o dia-a-dia do paciente”, explica Itatiara Xavier.

Arteterapia

“A arte transforma de maneiras tão inusitadas que, por vezes, aparecem coisas totalmente inesperadas.   A arteterapia é um recurso terapêutico que possibilita estabelecer um canal de expressão e comunicação natural, espontâneo e lúdico, características importantes no trabalho com o público jovem”, define Elia Cardoso.

Musicoterapia

“Trabalhar com música é trabalhar a memória, a emoção e a aprendizagem.  A musicoterapia ajuda a diminuir a angústia ou estresse.  Também é muito eficaz em alguns transtornos específicos, como o espectro autista, pois a música é um meio de comunicação não verbal que se apresenta como elemento de intervenção”, comenta Nadja Pinho.

 

OUVIR E CUIDAR

O Trabalho do Núcleo Infantojuvenil da Holiste tem como objetivo auxiliar o processo de desenvolvimento da criança ou do jovem quando, por algum motivo, ele sai de sua trajetória natural.  Nossa equipe trabalha para tornar o processo o mais fluido possível.

“A presença que se faz, de estar lá, de ouvir o que se tem a dizer, aquela garantia que, não importa o que aconteça, aquela pessoa estará lá ao seu lado, é o que, muitas vezes, falta.  Dar o espaço para que aquela pessoa fale, nem sempre por meio de palavras, pode ser por meio de atitudes, emoções, que seja um choro, um grito de raiva, mas é preciso ouvir e isso faz a toda diferença para o sucesso do tratamento”, encerra Mateus Freire.

 

 

 

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