Blog / Notícias

Tristeza não é sinônimo de depressão | Entrevista Dr. Gordilho

Notícias 03/04/2018

Em entrevista a rádio Sociedade FM, o psiquiatra da Holiste, Dr. André Gordilho, explicou a diferença entre depressão e tristeza.

 “A tristeza é uma emoção normal, faz parte da vida das pessoas. Durante a vida é até importante que a gente experiencie este sentimento para saber como lidar com ele, já que a tristeza será inevitável em algum momento. Entretanto, a depressão é uma doença, um transtorno mental, cujo um dos sintomas é a tristeza. Além disso, é caracterizada também pela presença de anedonia que é a falta da capacidade de sentir prazer, associado a outros sintomas como perda de energia, perda da libido, diminuição de apetite, insônia”.

Para Gordilho, reconhecer o transtorno e aceitar que a depressão é uma doença como outra qualquer é o primeiro passo para busca do tratamento adequado. “É preciso deixar o preconceito de lado. As pessoas tendem a associar o psiquiatra apenas como o profissional que trata a “loucura” propriamente dita, mas no nosso dia a dia trabalhamos muito mais com pacientes com transtornos mais comuns, como o bipolar e a depressão.”

ASSISTA TAMBÉM AO VÍDEO DA PALESTRA: TRISTEZA E DEPRESSÃO, COMO DIFERENCIAR?

 

A importância do tratamento adequado

O médico ainda destaca que o tratamento não depende apenas do indivíduo que está doente: “Muitas pessoas banalizam a doença: “Você não tem motivos para estar assim. Você tem boas condições de vida, família…Não tem porque se sentir assim, faz um esforcinho que você melhora”. É preciso entender que não funciona desta maneira, a depressão é uma doença tanto quanto diabetes ou hipertensão, não é uma escolha do paciente. Na verdade, o que depende da paciente é ir em busca de ajuda para ser orientado e tratado por um profissional”.

Questionado em relação a forma de tratar a depressão, o psiquiatra frisa: “O primeiro episódio de depressão, na maioria dos casos, tem cura. O importante é que seja tratado da forma correta e no tempo adequado. Muitos pacientes iniciam o tratamento e após 1 mês de melhora acabam abandonando e deixando de tomar a medicação. Devemos frisar que após o primeiro episódio, o indivíduo aumenta em 50% de chances de ter o segundo episódio e essa porcentagem aumenta gradativamente, por isso a necessidade de iniciar o tratamento e concluí-lo”. Dr. Gordilho ainda destaca que existem três bases bem estabelecidas para o tratamento da depressão, são elas: a medicação, psicoterapias e atividade física, principalmente atividade física aeróbica de moderada a alta intensidade. Em casos mais graves ou de pacientes refratários, ainda existem outras alternativas de tratamento como as terapias de neuroestimulação – estimulação magnética e a eletroconvulsoterapia -, ou tratamento com aplicação de cetamina.

Estatísticas da doença

Estima-se que 15% da população mundial estão sujeitos a depressão.  Segundo dados da OMS, cerca de 11,5 milhões de brasileiros sofram com a doença, o que torna o país o primeiro em número de casos depressivos na América Latina e quinto no mundo.

Dados mostram que mulheres deprimem mais que homens (uma proporção de 2:1), a maior frequência está situada entre 20 e 40 anos, quem possui histórico familiar tem até 3 vezes mais chances de ficar deprimido em relação a população geral.

“Esses números mostram o quanto é comum encontrar pessoas deprimidas.  O impacto da depressão é frequentemente subestimado.  A OMS considera a depressão como a primeira causa de incapacitação entre todas as doenças médicas.  Essa é com certeza uma doença para ser levada a sério”, alerta Dr. Gordilho.

SAIBA MAIS SOBRE A DEPRESSÃO
ASSISTA O VÍDEO DA SÉRIE “DESMISTIFICANDO A SAÚDE MENTAL” QUE TRATA SOBRE A DEPRESSÃO

Comentários

Inscreva-se para receber conteúdo sobre Psiquiatria e Saúde Mental

Cadastrar