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Transtorno Bipolar – Como Prevenir Crises

Encontros Holiste 27/06/2019

Na edição de março do Encontros Holiste, a psiquiatra Lívia Castelo Branco palestrou sobre o transtorno bipolar e a importância de prevenir crises. O evento é voltado para pacientes e familiares de pessoas que lidam com transtornos mentais.

O transtorno Bipolar é uma patologia caracterizada pela alternância de humor. Um paciente bipolar oscila entre momentos de euforia (mania) e depressão (melancolia), oscilação que é determinada por crises graves características da doença.

“É de extrema importância se falar sobre tema, tanto para entender melhor a patologia como para ajudar as pessoas com o transtorno, os sintomas e como prevenir essas crises”. Cita a psiquiatra.

Causas do Transtorno Bipolar

As causas do transtorno bipolar são multifatoriais. A genética exerce grande influência no desenvolvimento da doença, estabelecendo uma predisposição para que, em algum momento da sua do indivíduo, ele venha a desenvolver o transtorno. A história de vida da pessoa, seus traumas, sua personalidade e a forma como esse indivíduo reage aos momentos de estresse também são relevantes no desencadeamento das crises.

O diagnostico do transtorno bipolar depende de uma análise da história de vida do paciente, dos relatos de seus familiares e da avaliação psíquica do paciente por um profissional especializado, um psiquiatra ou psicólogo.

“Não existe um exame que feche o diagnostico de um paciente com transtorno bipolar. É uma avaliação das características em cada uma das fases de mania e depressão que o indivíduo apresenta, até que se confirme a patologia.  70% dos casos de transtorno bipolar tem como causa principal a genética” afirma Dra. Livia.

Neuroprogressão do Transtorno Bipolar

A cada crise, seja nos episódios de mania e depressão, implica um desgaste cognitivo que aumenta a vulnerabilidade do paciente perante essas crises. A neuroprogressão do quadro é caracterizada justamente pela dificuldade de reabilitação que o indivíduo passa a ter a cada nova crise, sendo necessários cada vez mais intervenções para equilibrar o quadro.

“O intervalo entre as crises vão diminuindo e o paciente passa a não sair mais da crise, esses episódios passam a ser mais intensos e prolongados exigindo doses altas de medicamento e desencadeando uma bola de neve de efeitos colaterais.” Cita a psiquiatra.

Para evitar a neuroprogressão do transtorno é fundamental que o paciente, junto com a família e outros cuidadores, siga o planejamento terapêutico desenvolvido pelo profissional que o acompanha, mantendo a administração regular das medicações, atendendo às sessões de psicoterapia e de outras atividades terapêuticas pertinentes para o seu caso.

Prejuízos causados pela Doença

O transtorno bipolar pode acarretar uma série de prejuízos ao indivíduo: redução da capacidade laboral, impactos econômicos, interferência nas relações interpessoais, problemas judiciais e, até mesmo, ideação suicida. O paciente sofre com prejuízos em diversas áreas de sua vida e é importante evidenciar que não existe cura para o transtorno bipolar.

Contudo, quando o paciente segue o tratamento à risca é possível levar uma vida normal, preservando suas relações familiares, sociais, laborais, além de controlar a reincidência das crises. Mesmo que não haja uma cura no horizonte, o tratamento é fundamental para impedir o avanço da doença.

Principais causas desencadeadoras das crises

A negação da doença é um dos maiores problemas no tratamento do paciente com transtorno bipolar. O paciente tende a não aceitar os sintomas e minimizar a importância dos mesmos, atribuindo as crises apenas ao estresse ou entusiasmo passageiro, interrompendo o uso da medicação por conta própria e abrindo caminho para novas crises.

Outro fator relevante são os efeitos colaterais que alguns medicamentos podem provocar, como aumento de peso, queda de cabelo, sonolência ou irritabilidade. Mesmo com possíveis efeitos colaterais indesejados, é importante que o paciente tenha a consciência de que o prejuízo de não manter o uso regular das medicações, sob o risco de agravamento do caso.

A importância da rotina

A rotina ajuda a equilibrar a vida do paciente e contribui diretamente para uma melhora no quadro. A inclusão da pratica de atividades físicas na rotina do paciente, por exemplo, é fundamental para diminuir tanto os efeitos colaterais dos medicamentos como para a regular algumas estruturas bioquímicas do cérebro. Outras atividades podem melhorar a ressocialização do paciente, questão muito importante principalmente para pacientes que passaram por um período de internação.

“A depender do tipo e da intensidade da atividade física desenvolvida pelo paciente, essa ação pode ser considerada até como um antidepressivo natural.  As atividades de socialização também podem ajudar muito no tratamento.  Através da socialização você muda o foco do seu sofrimento, ajuda a aliviar o isolamento e pode te auxiliar a sair de uma crise” Cita Dra. Livia

A Importância da Psicoterapia

A psicoterapia é de suma importância no tratamento de toda doença mental, pois trabalha as questões subjetivas relacionadas ao transtorno. O Psicólogo ajuda o paciente a entender melhor a doença e a perceber seus sintomas, ajudando a estabelecer estratégias de prevenção de recaídas. O psicólogo é também um grande parceiro na relação familiar, geralmente abalada pelos sintomas da doença.

“A psicoterapia ajuda o paciente a lidar melhor com os sintomas e a identificar os gatilhos de crise. O psicólogo age nos sintomas que a medicação não consegue agir” finaliza a psiquiatra.

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