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Teste Farmacogenético e a Medicina Personalizada na Psiquiatria | Vídeo

Psiquiatria em Debate 10/05/2018

“Teste Farmacogenético e a Medicina Personalizada na Psiquiatria” foram os temas discutidos no Psiquiatria em Debate, evento que reuniu profissionais da Psiquiatria e Saúde Mental da Bahia.  O evento, realizado no auditório da Holiste, contou com a palestra de Luiz Dieckmann, psiquiatra e pesquisador da Unifesp (SP) e Fabiana Nery, psiquiatra e coordenadora do Centro de Estudos Holiste.

O Teste Farmacogenético foi um dos pontos principais do debate. Luiz Fernando Pedroso, psiquiatra e diretor clínico da Holiste, falou sobre os benefícios que o exame traz para a prática clínica, destacando a importância do trabalho realizado pelo médico psiquiatra.

“Começamos a trabalhar com o teste genético em 2017, com resultados bem interessantes.  É um recurso com um grande potencial na nossa prática médica.  A ideia do evento foi justamente estimular a discussão crítica e aumentar nosso conhecimento sobre o tema, mas sem perder de vista que o profissional é o ponto chave”,  falou o psiquiatra na abertura do evento.

 

ASSISTA AO VÍDEO DO PSIQUIATRIA EM DEBATE

 

MEDICINA PERSONALIZADA NA PSIQUIATRIA

Fabiana Nery ministrou a palestra de abertura, com o tema “MEDICINA PERSONALIZADA NA PSIQUIATRIA”, onde discutiu os conceitos e os potenciais que esse campo traz ao possibilitar a personalização dos tratamentos médicos.

Segundo a psiquiatra, a Medicina Personalizada ou de Precisão busca reduzir a falha terapêutica, que acontece em determinados grupos de pacientes que não respondem bem ao tratamento medicamentoso.  Estima-se que 30% a 40% dos pacientes podem não responder adequadamente ao uso de antidepressivos.  No caso das medicações para o Alzheimer, esse número pode chegar a quase 70%, enquanto nos tratamentos oncológicos a falta de eficácia pode ser de até 75%.

“Todos nós somos diferentes uns dos outros, isso é uma verdade universal.  Mas, se somos diferentes, porque a grande maioria dos tratamentos para determinada patologia é o mesmo utilizado em toda população que sofre com aquela doença?

A medicina de precisão, ou personalizada, é um modelo médico que leva em consideração o perfil genético, molecular e clínico do indivíduo, de modo a indicar a forma mais precisa de tratamento” explica Fabiana Nery.

As premissas da Medicina Personalizada buscam o bem-estar e a qualidade de vida do paciente, aliado a redução do custo e do tempo de tratamento, além de evitar efeitos colaterais indesejados e aumentar a eficácia das intervenções.

Atualmente, o sistema diagnóstico na psiquiatria baseia-se unicamente na avaliação clínica do paciente, ou seja na avaliação de sua sintomatologia.  Esse modelo apresenta algumas limitações e  é por isso que a medicina personalizada propõe uma avaliação mais ampla e integrada do paciente.

“Esse modelo foi muito importante durante muito tempo, mas quem trabalha na prática clínica percebe que ele já se esvaiu.   Dois pacientes com o mesmo diagnóstico de depressão podem apresentar quadros clínicos bem  diferentes.  Com o avanço da Medicina Personalizada e da Farmacongenética, teremos mais informações sobre os mecanismos patológicos das doenças psiquiátricas, o que auxiliará no entendimento da fisiopatologia dos transtornos mentais e ajudará a indicar o tratamento de forma mais precisa.

Em um futuro muito próximo, as informações sobre dados metabólicos e genéticos possibilitarão a produção de medicamentos feitos sob medida para subgrupos de pacientes, baseados nas características específicas do paciente e da patologia.  Essa será uma nova fase para a psiquiatria com a maior ênfase em tratar a doença e não o sintoma”, acrescenta a psiquiatra.

ASSISTA A PALESTRA COMPLETA: MEDICINA PERSONALIZADA NA PSIQUIATRIA

 

FARMACOGENÉTICA E SUAS POSSIBILIDADES NA PSIQUIATRIA

Abordar os detalhes do processo de interação entre as medicações e a variabilidade genética do indivíduo foi a proposta da segunda palestra da noite, intitulada “Farmacogenética e suas possibilidades na Psiquiatria”, apresentada por Luiz Dieckmann.

“Muitas vezes, o trabalho do psiquiatra está baseado em quatro pilares – diagnóstico correto, o remédio correto, a dose correta, e a genética.  A genética tem uma grande importância no desdobramento do tratamento, pois, geralmente,  o efeito terapêutico ou resposta adversa está ligada a metabolização do medicamento, já que o corpo pode reagir absorvendo rapidamente ou lentamente a medicação.  O teste genético permite classificar o grau de metabolização do indivíduo para cada uma das famílias de psicofármacos.

Visualizar os mecanismos de metabolização já é um grande avanço para uma prescrição mais adequada – com uma dose maior ou menor que o convencional.  Mas esse não é o único recurso; o teste também traz informações em relação aos genes responsáveis pelo transporte e captação de neurotransmissores, como a serotonina.  Essas são informações que ajudam no desenvolvimento de uma estratégia muito mais direcionada em termos de orientação medicamentosa”, destaca o psiquiatra.

Nesse sentido, a farmacogenética permite visualizar outras possibilidades para pacientes que não estão respondendo adequadamente ao tratamento. “Para alguns casos específicos, o exame serve até como um alento, ajudando a pessoa a entender o porquê de uma jornada tumultuada com tratamentos anteriores e sucessivas trocas de psiquiatras sem alívio de seu sofrimento.  Ou até mesmo facilita a opção por tratamentos não medicamentosos, como a Eletroconvulsoterapia.  E isso não é uma tecnologia do futuro, ela já está disponível hoje”, completa Luiz Dieckmann.

O psiquiatra aponta o custo do teste como o grande limitador do seu uso, mas o valor deve ser reduzido na medida em que tivermos uma maior oferta no mercado.  Outro ponto destacado foi a falta de cobertura por parte dos planos de saúde no Brasil, já que em muitos países, como o EUA, o teste passou a ser coberto pelos planos.

“Existe o entendimento de que o exame oferece a possibilidade de encurtar o tratamento e reduzir custos com internação, medicamentos ou até mesmo o custo com afastamento do trabalho.   O ganho seria o paciente tomar o remédio certo, na dose certa e pelo menor tempo possível, com o retorno a sua vida funcional: família, trabalho, vida social etc.

Isso traz uma nova dimensão para o tratamento.  O papel do psiquiatra continua sendo imprescindível, já que o exame genético não serve para acertar o diagnóstico, mas para errar menos na construção do plano terapêutico”, encerra o psiquiatra.

SAIBA MAIS SOBRE O TESTE GENÉTICO NA HOLISTE

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