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Suicídio é sintoma de gravidade de doenças psiquiátricas

Notícias 06/09/2018
Entrevista sobre suicídio com Dra. Fabiana Nery

Convidada do programa Metrópole Saúde, da rádio Metrópole FM, Dra. Fabiana Nery, psiquiatra da Holiste, falou sobre a importância de tratar o suicídio como um sintoma de gravidade de uma doença psiquiátrica, e para tanto, deve ser abordado de forma ética, profissional e terapêutica.

De acordo com a psiquiatra, estudos clínicos mostram que em 90% dos casos, a tentativa de suicídio ou o suicídio consumado é sintoma de gravidade de uma doença psiquiátrica. “Isso quer dizer que uma doença não diagnosticada e não tratada como a depressão, esquizofrenia ou o transtorno afetivo bipolar evoluem de forma mais grave e chegam até a causar a ideação suicida, tentativa de suicídio ou até mesmo o suicídio completo. É importante salientarmos que o suicídio não tem a ver com traços de caráter, com escolha e com estar desistindo das coisas, tem a ver com estar doente, uma doença grave e que mata”.

Doenças atreladas

O suicídio é uma das 10 maiores causas de morte em todo mundo. Segundo a OMS, o número de suicídio supera a soma de mortes causada por homicídios, acidentes de trânsito, guerras e conflitos civis ao ano. No Brasil, estima-se que ocorram 32 mortes por suicídio ao dia.

Os transtornos mentais mais comuns associados ao suicídio são: a depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia e dependência química.

“Se interpretarmos a ideação suicida, ou seja, o desejo de morrer como sintoma de uma doença, é possível enxergarmos de uma outra maneira e entendemos que aquilo é passível de tratamento. Suicídio a gente previne, não é uma escolha, não é uma ideologia, é um sintoma”, pontua a psiquiatra.

A depressão, por exemplo, possui uma prevalência de 10% na população mundial, ou seja, 1 em cada 10 pessoas em algum momento da vida irão sofrer de depressão clinicamente significativa. Já a ansiedade chega a atingir cerca de 20% da população.

Estes dados só revelam que as doenças psiquiátricas não são mais uma exceção, elas são um problema de saúde pública e merecem a devida atenção.

Ainda segundo Dra. Fabiana, as notificações de suicídios registradas são muito aquém dos números reais. “Existem muitos casos em que o registro de óbito aponta outras causas, seja por questões administrativas/burocráticas ou até mesmo por motivos religiosos, com a tentativa de que não conste no registro oficial o suicídio como causa de morte. São os casos dos suicídios camuflados como intoxicação e envenenamento, acidentes de carro inexplicáveis e etc. Ou seja, a incidência na verdade é maior do que a registrada”.

Suicídio se previne com informação

Infelizmente, o suicídio sempre foi tratado como um tabu e evitado nas rodas de conversa. Porém, para os especialistas é justamente ao contrário, quanto mais o tema é falado e quanto mais é esclarecido, maior a chance de se prevenir.

Vale destacar também que estas doenças associadas ao suicídio, são transtornos para as quais existe tratamento, o que significa que o ato suicida, em grande parte, pode ser prevenido a partir da adoção de medidas adequadas.

Para isso, é fundamental levar mais informação sobre saúde mental para a população, desmistificando os transtornos mentais, principalmente em uma época em que o suicídio é responsável pela morte de um milhão de pessoas por ano, segundo dados da OMS.

 “Considerando a relação entre os transtornos mentais e o suicídio, o diagnóstico precoce dessas doenças deve ser a prioridade. E desmistificar o assunto, aumentando o debate e encorajando as pessoas na busca por auxílio médico, é uma forma de contribuir com toda a sociedade”, conclui a psiquiatra.

 

Assista também a palestra de Dra. Fabiana Nery “Suicídio não é escolha”.

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