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PAIS E FILHOS NA PANDEMIA

Notícias 21/09/2020

Em entrevista à rádio Band News, o psicólogo André Dória fala sobre os relacionamentos entre pais e filhos durante a pandemia do novo coronavírus.

Durante a pandemia, pais e filhos passaram a ter uma rotina de convívio mais intensa. Se ao longo da vida essa relação pode sofrer mudanças significativas, nesse período os vínculos afetivos foram colocados à prova.

Isso se explica devido à carga de estresse gerado pelo isolamento social. Neste contexto, pode ser difícil manter um relacionamento tranquilo, mas o psicólogo lembra que apesar disso o vínculo paternal é maior que qualquer circunstância momentânea:

“Nesse momento de pandemia as questões têm aflorado… Não dá para generalizar, mas penso que esse vínculo é à prova de qualquer circunstância momentânea, seja um vínculo fundado em uma relação tranquila ou uma mais conflituosa”, destaca André Dória.

Confira a entrevista:

 

Fugindo das idealizações

A crise do novo coronavírus fez com que a rotina da família sofresse alterações, influenciando no próprio vínculo e no tempo de convivência entre eles.

Para o especialista, “uma relação de pais e filhos pode ser marcada por vínculos positivos, mas é preciso que a gente não idealize as relações. Na nossa cultura, tendemos a idealizar achando que todas as relações são tranquilas, mas são relações com conflitos como todas as outras”, aponta.

Relações saudáveis

Dória explica que o primeiro passo para uma relação saudável é dessacralizar a figura paterna como modelo de pessoa ideal. Essa idealização pode atrapalhar o relacionamento, criando a ilusão de um pai sem defeitos.

“A não-idealização passa primeiro pela dessacralização da figura paterna como modelo ideal de pessoa, embora a gente saiba que o pai é uma referência para os filhos. Me parece que uma relação saudável passa primeiro pelo pai reconhecer a sua impotência diante de algumas questões que dizem respeito à humanidade de cada um”, afirma.

O especialista comenta que o imaginário sobre relação saudável é geralmente baseado nas famílias de comerciais de margarina, onde todos estão felizes. Para ele, é mais saudável um pai que reconhece suas fraquezas, as enfrenta, e fala delas para seus filhos.

“A gente vive em uma época que os pais se sentem culpados em colocar limites nos filhos, porque tem receio de deixar de serem amados por conta disso. […] Hoje a gente percebe a dificuldade em lidar com as frustrações, com uma proteção exagerada… Penso que, talvez, o caminho seja de não romantizar a vida, porque o mundo adulto não é nem um pouco romântico”, finaliza André Dória.

 

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