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MUSICOTERAPIA NO TRATAMENTO DE IDOSOS

Notícias 27/11/2017
Nadja Pinho, ministrando a oficina de musicoterapia para idosos.

Nadja Pinho, musicoterapeuta da Holiste, realizou uma oficina de musicoterapia voltada para o tratamento de idosos no I Encontro de Gerontologia do Estado da Bahia.

Importante ferramenta na abordagem dos transtornos mentais, a musicoterapia é uma grande aliada no tratamento dos pacientes idosos. Através dela, é possível estimular a criatividade, a capacidade física, mental e sociocognitiva do paciente, seja em sessões individuais ou em grupo. No I Encontro de Gerontologia do Estado da Bahia, realizado esse mês na UCSAL, Nadja Pinho, musicoterapeuta da Holiste, demonstrou como o trabalho é feito para estimular e restabelecer aspectos importantes da vida dos idosos.

EXPRESSÃO CORPORAL

Um dos eixos do trabalho do musicoterapeuta é auxiliar o desenvolvimento da expressão corporal do paciente, muitas vezes prejudicada por condições clínicas próprias da terceira idade ou por transtornos mentais. Independente da causa, o trabalho consiste em estimular a força e agilidade dos movimentos, o ritmo da marcha ou mesmo movimentos mais mecanizados, como a respiração e a mastigação.

“Através do trabalho com ritmos é possível fazer com que o idoso recupere o tempo correto de sua marcha, de sua passada, restabelecendo seu equilíbrio. Quando envolvemos, por exemplo, as palmas e o canto em uma mesma atividade, estimulamos o idoso a ser capaz de realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo, coisa que fazemos normalmente, mas que para o idoso pode ser um desafio. Danças também podem fazer parte do trabalho, ajudando o paciente a reconhecer o seu corpo, a expressar-se através dele” – explica a musicoterapeuta.

RESGATE DA MEMÓRIA

A memória é uma das perdas mais emblemáticas da terceira idade. Às vezes, não passa de algo natural, o acúmulo de inúmeras experiências de vida. Em outros casos, a perda de memória está relacionada à alguma doença mental ou neurológica, como a demência, o Alzheimer ou a esquizofrenia.

Nas sessões de musicoterapia, é possível conectar pontos perdidos na memória, restabelecer essas ligações e trazer lembranças à tona: “Uma música trabalhada em uma atividade pode reviver uma memória afetiva relacionada à mesma. Aquela música pode ter marcado a história de vida do paciente, ou simplesmente despertar um sentimento relacionado à essa memória, que nesse momento emerge para a superfície e permite ser abordada pelo terapeuta. Lembrando que a música, em suas diferentes manifestações, é a memória de maior duração em nossa mente, mesmo nos indivíduos com Alzheimer” – aponta Nadja.

MELHORIA DO CONVÍVIO SOCIAL

Outro ponto fundamental na qualidade de vida do idoso é a sua integração social, seu convívio com a comunidade na qual está inserido. Por estarem aposentados, os idosos já não possuem uma vida social tão intensa como antes, além das limitações físicas provocadas pela idade. Assim, a musicoterapia também visa trabalhar aspectos que melhorem o convívio social do idoso.

Por meio desse resgate da identidade sonora do paciente, junto à melhoria da fala, cognição e motricidade, é possível melhorar a autonomia do idoso e promover o seu convívio social: “Muitos pacientes iniciam o tratamento com diversas limitações. Seu convívio social quase sempre está resumido ao seio familiar, pois já não possui mais vida profissional, muito dos familiares e amigos de toda vida já se foram. A partir do momento em que a musicoterapia começa a resgatar essas memórias, esses aspectos psicomotores, e isso vai sendo trabalhado pelo terapeuta, eles se sentem mais livres e confiantes para realizar atividades que já tinham esquecido o quanto lhes davam prazer. Às vezes são coisas muito simples, como ir ao mercado fazer suas compras, mas que são simbolicamente libertadoras” – finaliza a especialista.

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