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Adição, dependência, compulsão e impulsividade – vídeo

Centro de Estudos Holiste 29/01/2019
Comportamentos Dependentes, Encontros Holiste

Quando se fala em dependência, é comum que haja julgamentos e rótulos acerca do paciente, pois a maioria das pessoas não dispõe de informações relevantes sobre o tema.

Durante anos, os comportamentos dependentes foram vistos como uma falha moral, um desvio de conduta ou uma fraqueza de espírito. O psiquiatra Luiz Guimarães falou sobre “Adição, dependência, compulsão e impulsividade” durante palestra no Encontros Holiste.

“O grande problema, quando ouvimos falar desse tema, é que pensamos que as pessoas são fracas, são complicadas, mentirosas ou necessariamente ladras. Especialmente em relação à dependência química, a reação das pessoas é sempre carregada de preconceitos. E, na verdade, existem patologias ligadas ao comportamento que precisam ser tratadas, mas o próprio preconceito, muitas vezes, impede o tratamento adequado”, observa Luiz Guimarães.

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Patologias da vontade

Chamadas de as patologias da vontade, a dependência, adição e compulsão alteram a liberação dos neurotransmissores no cérebro. O pensamento em realizar algum comportamento – como jogar, usar alguma sustância ou comprar – aumenta a liberação desses neurotransmissores, ou seja: é importante saber que a pessoa que sofre das chamadas patologias da vontade, ligada ao não ao uso de drogas, possuem alterações neurológicas importantes que ocasionam esses comportamentos.

Outro aspecto é entender que a impulsividade é o centro de vários transtornos mentais, em especial aqueles ligados ao comportamento dependente.  Trata-se de uma reação rápida e não planejada, geralmente sem avaliação das consequências provocadas por determinado ato.

“A nossa interação com o mundo vem de estímulos internos e externos, e é isso que controla as escolhas que são feitas por cada um. As decisões são baseadas em recompensa – prazer ou alívio – ou em modular um comportamento. A região subcortical do cérebro é feita para obtenção de prazer e satisfação de vontades. A região cortical é aquela que faz a modulação de comportamentos para que a pessoa não faça apenas o que tem vontade, e mantenha um comportamento social. Vivemos nessa eterna luta entre a razão e a vontade. Entender isso é fundamental para compreender dependência química e comportamental”, explicou Luiz Guimarães.

 

Drogas e comportamentos

O psiquiatra salientou que ter determinado comportamento ou experimentar uma droga não necessariamente causa dependência, mas sim a relação que se constitui entre a pessoa e aquela experiência.

“A dependência resulta da junção entre o que a droga ou o comportamento proporciona de fato e o poder que a pessoa vai conferir a esta droga ou a este comportamento, a partir de sua experiência com esse elemento que causou a dependência, que é subjetiva. Muitas pessoas fazem exercício físico, sexo, comem, jogam, usam o computador ou ingerem álcool, mas nem todas se tornam dependentes. É essa diferença que causa a dependência que nos interessa”, pontou o palestrante.

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Recompensa e sofrimento

No cérebro, existe um “circuito” de recompensa que funciona interligado aos estímulos internos e externos. A busca por gratificação e prazer é algo natural e faz parte do comportamento humano. No entanto, nos comportamentos dependentes, isso se torna patológico.

Existem “super recompensas” que são verdadeiras sequestradoras da vontade. Pegando um exemplo mais conhecido, que é o uso de drogas, a pessoa que é viciada em uma droga não consegue pensar em mais nada – ela pode deixar até de buscar as recompensas mais básicas, que são as necessidades fisiológicas, como comer, fazer sexo e dormir, para consumir a droga.

“A pessoa pensa o tempo todo naquela experiência e fica presa naquele pensamento intrusivo. Além disso, ocorre a liberação de substâncias, como a dopamina, no cérebro, e tudo isso é associado na dependência. A pessoa não consegue não fazer. As dependências comportamentais são caracterizadas pela recorrência de impulsos, onde se realiza esse comportamento específico e mantém esse comportamento apesar das consequências negativas ou danosas”, detalhou o médico.

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