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Estresse: Um caminho para um ataque de fúria?

Notícias 07/12/2016

A causa para o estresse, muitas vezes, pode ser desconhecida. Podendo ocorrer em momentos importantes na vida do indivíduo, tanto negativos como em momentos positivos, desencadeando uma ansiedade, uma apreensão ou uma preocupação.

O estresse é uma resposta física normal a situações que fazem o indivíduo se sentir ameaçado ou quando está sob pressão. Ele pode ser caracterizado por sensações de medo, desconforto, preocupação, irritação, frustração etc., ou pode ser motivado por um problema psicológico anterior.

Em entrevista ao programa Bom Dia Bahia da TV Aratu, o psicólogo da Holiste, Cláudio Melo, falou sobre o assunto: “O estresse excessivo pode deixar o paciente doente, ou revelar um problema psicológico já existente, necessitando de uma ajuda de um psicólogo ou um psiquiatra”, comenta.

Estresse no cotidiano

A vida moderna traz consigo fatores que podem desencadear um episódio de estresse, podendo variar de intensidade. Prazos, demandas, conflitos na família ou no trabalho, trânsito e problemas financeiros podem ser alguns desses fatores. O próprio estresse em si pode desencadear um episódio de ataque de fúria, sendo essa uma reação muito perigosa para o indivíduo e para as pessoas próximas a ele.

O psicólogo Cláudio Melo explica que episódios de estresse e ataques de fúria podem estar relacionados a um histórico na vida do indivíduo. “Na verdade, não se tem uma situação específica que causa uma situação de estresse ou um ataque de fúria. Geralmente é uma soma de coisas. Por exemplo, se eu tenho um ataque nervoso no trânsito é porque provavelmente eu já venho sofrendo esse estresse constantemente. Antecedentes psicopatológicos, um transtorno mental ou uma predisposição são fatores que podem desencadear esses acontecimentos.

A bebida alcoólica também pode ser um agravador da situação de um indivíduo que sofre deste transtorno. É comum, as pessoas utilizarem a bebida para esquecer ou aliviar os problemas do dia-a-dia, que numa quantidade moderada pode ser aceitável, porém, o consumo excessivo pode intensificar os sintomas, trazendo problemas para o indivíduo. “O uso excessivo da bebida alcoólica abre espaço para que outras emoções venham à tona. Tanto emoção de alegria, quanto de fúria, de raiva, de frustração. Mas, o indivíduo que já possui esses “monstros” ali guardados, acaba extravasando quando bebe exageradamente”, avalia Claudio Melo.

Estamos mais estressados?

Vivemos num mundo onde sempre estamos correndo contra o tempo, sempre com alguma coisa para fazer. Essa rotina traz para a vida das pessoas, problemas que muitas vezes não conseguimos resolver. “O estresse no dia a dia do cidadão comum é causado por situações que já vêm se somando. Todos os dias o mesmo trânsito ruim, sair atrasado de casa, conflitos em casa ou no trabalho, tudo isso vai gerando um grande “caldo” que culmina num estresse de grande escala ou um ataque de fúria”, aponta Cláudio Melo.

A crise política no Brasil hoje contribui para a intolerância política, gerando comportamentos de fúria e estresse entre as diferentes vertentes do meio. “Nós estamos passando por um grande momento de mudança, de transição cultural, de valores. Por exemplo, esse momento do cenário político atual, percebemos que as pessoas estão pouco tolerantes as diferenças, a opinião alheia e isso vai gerando esse clima de tensão, um sentimento de que as coisas não vão acabar muito bem, pessimismo de uma forma generalizada. Isso reflete o momento atual”, explica o psicólogo.

É preciso saber lidar

O cerne das causas de estresse pode ser a falta de adaptação às situações novas, que não estão no nosso controle no dia a dia, é a chamada resiliência, a capacidade de se adaptar as situações que nos colocam no limite. Se um indivíduo não possui essa facilidade de adaptação, em situações de estresse contínuo ele pode responder a essas situações de forma hostil e agressiva.

Procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra especializado, nesses casos mais extremos, é necessário. Auto-organização no dia a dia e a prática de atividade física são boas opções para ajudar na prevenção desses episódios. “A primeira coisa é descartar a possibilidade de existir uma predisposição de um transtorno mental. E depois, uma atividade física, alguma atividade de relaxamento, meditação, horários de lazer são boas formas de prevenção”, conclui.

Confira a entrevista completa:

 

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