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Quando as emoções e sentimentos se tornam patológicos?

Artigos 24/01/2018
Livia Castelo Branco, psiquiatra

Em artigo publicado no jornal Correio, a psiquiatra Livia Castelo Branco falou sobre a importância em buscar cuidado profissional quando as emoções e sentimentos tornam-se muito intensos, a ponto de trazer prejuízos para a vida funcional da pessoa.

Leia o artigo completo.


 

A vida afetiva é a dimensão psíquica que dá intensidade às vivências humanas, que engloba o humor, as emoções e os sentimentos (espectro da tristeza, alegria, agressividade ou amor). Os afetos também interferem em outras funções psíquicas, como a vontade, a atenção, o pensamento e a memória, influenciando diretamente a maneira de pensar do indivíduo, a formação de suas lembranças e as suas tomadas de decisão. Além disso, os afetos estão associados a certas sensações corporais, como alterações da freqüência cardíaca, respiração, suor, sensação de bem ou mal-estar.

O humor, as emoções e os sentimentos estão presentes ao longo da vida e, mesmo quando desconfortáveis, fazem parte do funcionamento normal do ser humano. Entretanto, alguns afetos se tornam intensos, recorrentes ou duradouros, a ponto de interferirem na saúde física e psicológica, trazendo prejuízo ao trabalho, aos estudos, causando problemas na vida amorosa, social ou financeira. É nesse momento que devemos prestar atenção no que está acontecendo e procurar ajuda.

A tristeza se torna patológica quando está associada a outros sentimentos negativos, como desesperança, angústia e pensamentos de morte. A própria alegria, geralmente associada ao bem-estar de todos, quando se apresenta em forma de uma euforia descontrolada pode causar problemas, levando à comportamentos como mania de grandeza, superexposição social e gastos compulsivos. Uma simples irritabilidade passa a ser um transtorno quando se torna uma reatividade exagerada acompanhada de uma hostilidade ou agressividade física/verbal. Já a ansiedade é um estado de humor desconfortável, que leva ao desenvolvimento de um medo difuso, inquietação interna e apreensão em relação ao futuro.

A adoção de um estilo de vida saudável, com horários regulares de sono, atividade física frequente, dieta balanceada, atividades de lazer e suporte social podem ajudar a prevenir as alterações patológicas dos afetos. O acompanhamento psicológico é fundamental para a redução da freqüência e intensidade do sofrimento psíquico ao longo da vida, seja em momentos de maior estresse ou na simples manutenção do bem-estar em períodos menos atribulados. Ainda assim, muitos transtornos mentais necessitam de acompanhamento psiquiátrico e intervenção medicamentosa, a depender da gravidade do quadro, do tempo que os sintomas perduram ou de alguma interferência no funcionamento do indivíduo.

Observar alterações de emoções e comportamento, em nós mesmos e naqueles que nos cercam, pedir ou indicar ajuda quando a vida afetiva estiver comprometida são atitudes essenciais para melhorar a qualidade de vida de cada um, o que refletirá em uma sociedade mais sadia para todos.

ASSISTA AO VÍDEO TRISTEZA E DEPRESSÃO: COMO DIFERENCIAR?
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Artigo da psiquiatra Livia Castelo Branco no Correio

Artigo da psiquiatra Livia Castelo Branco no Correio

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