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Residência Terapêutica: Dilemas da moradia assistida

Notícias 09/03/2018

Residências Terapêuticas são, por definição, moradias destinadas a portadores de transtornos mentais crônicos.  Porém, a maioria dessas pessoas perdeu seus laços sociais e familiares no processo de adoecimento, além da sua identificação como cidadãos pertencentes a sociedade.

“Nessa perspectiva, a Residência Terapêutica pode e deve funcionar como um recurso que ultrapasse a função básica de um lar, contribuindo para a atualização e construção de novos processos subjetivos, autonomia e cidadania”, explica Lívia Brandão, terapeuta ocupacional da Residência Terapêutica.

SAIBA MAIS ASSISTIDO AO VÍDEO: RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA E MORADIA ASSISTIDA

 

O BAIRRO E A COMUNIDADE

O trabalho realizado na Residência Terapêutica da Holiste tem como grande desafio viabilizar, para seus moradores, o reconhecimento de um espaço com o qual se identifiquem, que tenha significado em sua vida e gere a percepção de pertencimento. Esse espaço deve favorecer a reconstrução de suas rotinas e autonomia, acolher suas iniciativas e escolhas, um meio onde estabelecerá uma nova convivência cotidiana.

“Um dos diferenciais que agregamos é o que podemos chamar de exploração de um Território Terapêutico.  Estamos localizados em um bairro com uma estrutura completa de serviços, os quais são “apropriados” pelos nossos moradores e servem como conectores do interno com o social, ampliando relações, permitindo experiências e promovendo a socialização”, explica Caroline Severo, psicóloga e coordenadora da Residência Terapêutica da Holiste.

Os moradores frequentam espaços públicos e privados, explorando cada parte do bairro, conhecendo pessoas e sendo conhecidos. Idas ao salão de beleza, praças públicas, restaurantes, bancas de revistas, casas lotéricas, shoppings, já fazem parte do cotidiano de todos eles.  Atitudes simples que foram perdidas por conta do adoecimento.

 

A TERAPIA OCUPACIONAL E O COTIDIANO

Facilitar as ações do cotidiano desses indivíduos viabiliza a realização de projetos pessoais. A Terapia Ocupacional tem um papel importantíssimo nesse processo, auxiliando os moradores a reconstruir esse cotidiano, fazendo-os identificar possibilidades de gerir suas vidas dentro de um novo contexto.

“Para a Terapia Ocupacional, toda essa exploração e experimentação de um novo contexto social serve como palco para intervenções, para criação de perspectivas que estimulam os moradores a ressignificarem suas ações a partir dessa nova condição de vida.

Na nossa pratica, de modo processual, os moradores começam a construir vínculos e identificação com a casa, com os outros moradores e com a equipe técnica. Tarefas que promovam essa aproximação são constantes, como cuidar das plantas, arrumar o quarto personalizando-o com porta-retratos e objetos pessoais. Todas essas tarefas podem parecer simples, mas cumprem uma importante função terapêutica ao favorecer a apropriação do espaço pelo paciente” – destaca Lívia Brandão.

SAIBA MAIS SOBRE A TERAPIA OCUPACIONAL

 

MORADIA ASSISTIDA

Acima de tudo, é preciso ter em mente que o propósito da Residência Terapêutica é construir a ideia e o sentimento de “lar”, evitando o processo de institucionalização da casa. É fundamental que o morador veja a residência como o local onde vai exercer sua cidadania plenamente, como a sua própria casa.

“Temos o cuidado em não institucionalizarmos a casa, para que esse espaço não reproduza um ambiente de clínica de internação. Porém, é necessário manter algumas rotinas do tratamento psiquiátrico e estabelecer normas claras de convivência. De modo prático, alguns aspectos precisam ser cumpridos para que diferentes individualidades convivam em harmonia e com qualidade de vida, a exemplo do uso dos medicamentos, participação em oficinas terapêuticas, uma vez que estamos tratando de uma residência terapêutica em saúde mental” – finaliza Lívia Brandão.

ASSISTA A PALESTRA “RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA: UM ESPAÇO SINGULAR DE MORADIA ASSISTIDA

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