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DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE

Desafios do Envelhecimento 30/07/2019

Na primeira edição do Desafios do Envelhecimento, o psiquiatra André Gordilho falou sobre a depressão e seus sintomas na terceira idade, além do papel e os desafios da psicogeriatria.

 

O envelhecimento faz parte do ciclo natural da vida. Com ele, chegam algumas manifestações positivas ou negativas que variam de acordo com o estilo de vida levado nas etapas anteriores, como a juventude. Porém um ponto ainda pouco explorado é a necessidade do cuidado com a saúde mental do idoso.

Dados apontam que, em 2020, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos, com aproximadamente 30 milhões, sendo 650 mil novos idosos incorporados à população por ano.

“O envelhecimento populacional, do ponto de vista da psiquiatria, leva a um aumento dos transtornos mentais relacionados ao modo direto com o processo de envelhecimento cerebral. Traz doenças próprias da idade, como demências, psicose tardias, depressões, entre outras”, destaca André.

Confira a palestra completa.

 

Depressão na Terceira Idade e seus sintomas

Embora seja uma doença com grande incidência na população, a depressão ainda é uma patologia pouco aceita socialmente, e muitas vezes acaba sendo relacionada a uma ‘simples tristeza’ ou ‘sensação de melancolia’. Em casos associados ao idoso, ela pode ser confundida com uma demência característica à idade.

A depressão não é um fator mórbido único, simples. Gordilho aponta que, quando associada ao envelhecimento, a doença ganha formas que dificultam seu diagnóstico, pois é comum os disfarces clínicos que encobrem a raiz do problema, bem como a associação à ansiedade, que responde a quase 50% dos casos de quadros depressivos no envelhecimento.

As características mais comuns do transtorno são: humor deprimido, perda da capacidade de sentir prazer, pensamentos negativos e suicidas, sentimento de culpa, crises de choro entre outros. No idoso, a depressão apresenta sintomas mais específicos, como o esquecimento e dores pelo corpo, que podem mascarar o início de uma depressão.

“Por exemplo: o idoso é mais suscetível a estresses ambientais do que o jovem, e a doenças mentais secundárias às físicas. Por isso, há necessidade de ser mais minucioso na avaliação do paciente, procurar orientação com a família de histórias que o idoso não fala”, afirma o psiquiatra.

Psicogeriatria e os impactos da depressão

A Psicogeriatria é uma subespecialidade da psiquiatria que lida com o idoso, seus aspectos emocionais e mudanças cognitivas, levando em consideração a fisiologia deste indivíduo e os fatores relacionados ao envelhecimento.

Com o papel de criar estratégias para propiciar uma melhor qualidade de vida ao idoso, o psicogeriatra é o profissional adequado para, também, auxiliar a família na compreensão de situações que podem ser responsáveis por alterar o processo saudável do envelhecimento.

“O envelhecimento traz grandes desafios adaptativos, como perdas afetivas, amigos se afastam ou falecem, aposentadoria, eles já não são mais chamados para determinados eventos… Para muitas pessoas é difícil lidar com as incapacidades funcionais, e essa dificuldade de aceitação pode ser um risco para o paciente desenvolver um quadro depressivo”, aponta Gordilho.

Envelhecimento bem-sucedido

O termo envelhecimento bem-sucedido é utilizado para remeter ao processo de envelhecer bem, com foco na qualidade de vida e saúde do idoso. Para isso, são necessários diversos fatores que vão do social ao psicológico.

Para André Gordilho, a saúde está como ponto principal para manter o desenvolvimento e preservação da estrutura cognitiva, facilitando que o indivíduo mantenha suas relações sociais e suas habilidades para viver com independência.

“Você estando bem cognitivamente a tendência é conseguir gerenciar mais suas limitações. Malhar o cérebro é tão importante quanto malhar o corpo, e por isso que a estimulação cognitiva é bem interessante no tratamento. Você estar engajado em atividades intelectuais, como jogos de quebra-cabeça, grupos de leitura… fazer coisas de alta complexidade para ter uma vida plena. Porque é isso que a gente quer: o idoso ativo”, finaliza o psiquiatra André Gordilho.

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