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AUTOMEDICAÇÃO: UM RISCO PARA A SAÚDE

Notícias 30/10/2018
Dra Livia Castelo Branco aborda os perigos da automedicação, no Band Mulher.

É muito comum, no Brasil, pessoas fazerem uso da automedicação. Independente de qual seja a motivação do ato, esse comportamento oferece risco à integridade física do indivíduo.

 

Na psiquiatria o problema também existe. A utilização indiscriminada de antidepressivos, estimulantes ou indutores de sono é cada vez mais comum. Estudantes de concursos lançam mão de Ritalina para melhorar seu desempenho, executivos que utilizam Rivotril para conseguirem dormir bem, enfim, os exemplos de uso indiscriminado de medicações psiquiátricas são muitos.

O programa Band Mulher convidou Livia Castelo Branco, psiquiatra da Holiste, para abordar o tema e esclarecer dúvidas relacionadas ao risco da automedicação.

Assista o programa completo:

 

CULTURA DA AUTOMEDICAÇÃO

Segundo dados da pesquisa realizada, esse ano, pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), o Brasil é o país com o maior índice de automedicação do mundo, com 72% dos brasileiros se automedicando. Salvador é a cidade com maior índice: cerca de 96% da população afirmou se automedicar. Os dados apontam que esse comportamento é quase cultural, o que potencializa ainda mais o risco da prática por sua banalização.

“O que acontece, também, é que as pessoas são muito imediatistas: qualquer coisinha, quer tomar um remédio. Às vezes é aquela dor de cabeça que dura cinco minutos, mas a pessoa a pessoa simplesmente não quer esperar essa dor de cabeça passar, não quer tomar uma água, não quer dar uma volta, não quer respirar fundo e vai tomar um remédio logo para aliviar aquilo. Depois, em um outro momento, surge um outro desconforto e a pessoa toma o remédio de novo. Daqui a pouco ela tem o efeito colateral por conta da medicação, e toma um remédio para aliviar aquele efeito colateral, e quando você vê a pessoa já tá com um problema no fígado, nos rins, um outro de problema de saúde sério pela medicação excessiva” – explica Livia.

 

SAÚDE COMO PRIORIDADE

Com a facilidade no acesso a informação, através da internet, ficou muito comum as pessoas pesquisarem no Google os sintomas e as medicações relacionadas a eles, partindo para a automedicação. Esse comportamento é bastante recorrente, e já existe um termo para ele: “Dr. Google”.

Esse fator é alimentado pela postura da autossuficiência, onde as pessoas acreditam que, sozinhas, são capazes de resolver todos os seus problemas ou se negam a pedir ajuda.

“Isso é muito comum, e o que é comum, também, é a pessoa não considerar a saúde como uma prioridade, ou seja: você gasta dinheiro com um corte de cabelo, você gasta dinheiro com a sua cerveja no fim de semana, você gasta dinheiro com um celular caro, etc., mas na hora de pagar uma consulta médica você diz ‘não, é muito caro’. Na hora de comprar um remédio, você diz ‘vou comprar o mais barato’. (…) Se você começar a parar pra pensar que a sua saúde pode ser uma prioridade e que vale a pena investir nela, por quê não?” – provoca a psiquiatra.

 

PREVENIR PARA NÃO REMEDIAR

Para evitar a automedicação, além de comparecer a consultas e seguir a prescrição médica, é importante adotar a saúde preventiva: visitar regularmente o seu médico, realizar os exames de rotina e ter hábitos saudáveis, como cuidados com a alimentação e prática de exercícios físicos. Melhorando a qualidade de vida, se reduz a incidência de doenças e, consequentemente, o risco da automedicação.

“Se a gente fala a palavra remédio, a gente tá falando em remediar, que seria alguma coisa que já aconteceu lá na frente. A tendência atual é pensar na prevenção. Então, a gente tá falando de atividade física, a gente tá falando de atividades de lazer. A importância do lazer, realmente, é muito grande, tanto para transtornos mentais quanto para problemas físicos, também, você relaxar aliviar as tensões, etc. Uma dieta adequada, horas de sono adequadas, tudo isso faz toda a diferença pra lá na frente a gente não ter uma dor de cabeça, não ter um câncer, não ter um quadro demencial” – finaliza a psiquiatra.

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