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Amor Patológico, Sexualidade e Psiquiatria | Vídeo Ciclo de Palestras Holiste

Centro de Estudos Holiste 08/10/2016

Carmita Abdo e Fabiana Nery foram as convidadas do segundo evento do Ciclo de Palestras Holiste, que aconteceu no dia 21/09/2016 no Hotel São Salvador.   As palestrantes abordaram o amor e a sexualidade sob o ponto de vista da psiquiatra.

Fabiana Nery, coordenadora do Centro de Estudos Holiste, esclarece o objetivo da iniciativa.  “O nosso objetivo com o Ciclo Palestras é integrar diferentes papeis, profissionais e visões de uma mesma situação.  Não é uma palestra técnica onde vamos trazer termos psiquiátricos ou termos específicos da medicina, pelo contrário, vamos discutir questões relacionadas a natureza humana e como podemos atuar de uma maneira mais ampla e integrada”, afirmou a psiquiatra.

Um grande público de profissionais e estudantes que atuam na saúde mental, além de pessoas de diversas áreas, acompanharam o segundo evento.  Fabiana Nery iniciou o evento com o tema “Sofre por amor: Qual o Limite” e Carmita Abdo encerrou falando sobre “Sexualidade e Psiquiatria”.  No final, os palestrantes responderam a perguntas da plateia que foram moderadas por Luiz Fernando Pedroso, psiquiatra e diretor clínico da Holiste.

Acompanhe o vídeo do evento.

 

ALÉM DA TÉCNICA

Luiz Fernando Pedroso , Diretor Clínico da Holiste, resumiu o objetivo do Ciclo de Palestras e o motivo da escolha do tema no discurso de abertura, além de destacar a importância de uma visão e abordagem mais amplos no tratamento da saúde mental.

“Nossa proposta é falar de temas de interesse de todos, que estejam ligados ao comportamento e a mente humana e que de alguma forma se relaciona ao que fazemos no nosso dia a dia, mas que vão além da técnica e da medicina.

O que fazemos não é simplesmente técnico, envolve questões políticas, filosóficas e ideológicas.  Portanto nosso interesse é abrir a perspectiva e a visão sobre o que é debatido” – afirmou o psiquiatra.

 

SOFRER POR AMOR: QUAL O LIMITE?

Em sua palestra, Fabiana Nery mostrou o esforço dos filósofos, pensadores e poetas de definirem o amor, desde o “mito grego do amor” que afirmava que o homem e a mulher eram um único ser que foram divididos por Zeus, até conceitos mais modernos como o de Mario Quintana, que descreveu de forma simples,  “o amor é quando a gente mora um no outro”.

A psiquiatra destacou a distinção do amor patológico, que gera sofrimento, do amor saudável, onde há atenção, cuidado, dedicação, bem-estar, apoio e segurança.

“O amor patológico é como se o parceiro fosse uma droga que você está viciada. Causa dependência emocional, onde a pessoa fica dependente afetivamente do companheiro por ter baixa autoestima. Essas pessoas necessitam de aprovação e aceitação do outro, por não acreditarem no próprio valor”

 

SEXUALIDADE E PSIQUIATRIA

O sexo é considerado pela Organização Mundial da Saúde como um dos quatro pilares da qualidade de vida, ao lado do trabalho, do lazer e da vida familiar.

“O sexo vem sendo cada vez mais considerado de suma importância como um polo estruturante tanto da identidade, quanto da personalidade.  A atividade sexual satisfatória pode inclusive, provocar uma proteção a massa encefálica e vai até estimular uma neogênese no hipocampo, ou seja, o cérebro vai se regenerar através do sexo”, afirma Carmita Abdo.

A professora e psiquiatra, falou sobre a relação do sexo na vida das pessoas, sobre os transtornos parafílicos, sobre as diferenças biológicas no cérebro entre os sexos e apresentou, também, dados da pesquisa “Sexualidade do Brasileiro”, onde destacou algumas diferenças em como homens e mulheres percebem a questão do sexo em suas vidas.

“Para os homens, em primeiro lugar está se alimentar, seguido de tempo para conviver com a família e em terceiro lugar está a prática do sexo, na frente de dormir bem, trabalhar no que se gosta e cuidados com a saúde. Já para as mulheres, o sexo vem em 8º lugar, perdendo na preferência feminina somente para a prática de exercícios físicos e sair de férias em família. ”

Segundo Carmita, as mulheres foram condicionadas a manterem distância psíquica dos seus corpos. Esse é um traço cultural, uma influência ambiental que acaba sendo transmitida por gerações, podendo até gerar mudanças biológicas através da epigenética.

“Para a gente mudar isso, teremos de viver novos tempos e novas influências, para que as mulheres passem a ter um contato melhor com seus corpos. A mulher precisa se apropriar do seu corpo e também entrar em contato com as sensações físicas na mesma medida que os homens entram”, aconselha a especialista.

 

TERCEIRO EVENTO CICLO DE PALESTRAS

O sociólogo Demétrio Magnoli e o psiquiatra Luiz Fernando Pedroso são os palestrantes próximo evento do Ciclo de Palestras Holiste . No centro debate estará a questão do extremismo religioso e do radicalismo político.

O terceiro evento do Ciclo de Palestras Holiste acontece no dia 22 de novembro às 19h no Hotel São Salvador.  O evento é gratuito e as vagas limitadas.  Inscreva-se no site palestras.holiste.com.br.

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