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Alzheimer:  Novas descobertas sobre a doença

Notícias 01/02/2019
Atividade Física e a prevenção do Alzheimer

As síndromes demenciais estão entre os grandes desafios do envelhecimento, sendo uma das principais causas de incapacidade entre os idosos, demandando cuidados durante todo o curso dessas doenças.

Estima-se que as demências tenham uma incidência de 10 a 15% nos adultos acima de 65 anos, em todo o mundo, desconsiderando o número de pessoas que apresentam déficits neurocognitivos, quadros que se aproximam dos critérios diagnósticos da demência.

A demência é um termo “guarda-chuva” que engloba diversas doenças neurodegenerativas progressivas, as quais envolvem um conjunto de sintomas diretamente ligados à perda cognitiva, como problemas de memória, raciocínio, linguagem e alterações de comportamento.  Existem diversos tipos de demência, que podem ser separadas em dois grupos: reversíveis e degenerativas.  As principais síndromes demenciais são a Doença de Alzheimer, Demência com Corpos de Lewy, Demência Vascular e a Demência Frototemporal.

Para cada tipo de manifestação da Demência, existe um grupo de sintomas diferente e, consequentemente, tratamentos diferentes, além da evolução individual de cada um.  Em idosos, sintomas como delírios e alucinações trazem riscos como a possibilidade de fuga do lar, quedas ou agressões, bem como comportamentos alterados com a família ou cuidadores”, explica o psiquiatra Victor Pablo.

 

A DOENÇA DE ALZHEIMER

A doença de Alzheimer é a síndrome com maior prevalência, representando 60 a 70% dos casos.  Seu avanço acontece de forma progressiva e irreversível, afetando – de forma gradual – as funções cognitivas, como atenção, concentração e raciocínio, trazendo também alterações no comportamento e personalidade do indivíduo.  Essas perdas ocasionam prejuízos significativos na capacidade produtiva e nas relações sociais.  Segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), mais de 1,6 milhões de brasileiros sofrem com a doença de Alzheimer.

Estudos recentes trouxeram avanços no entendimento dos mecanismos que influenciam a doença, entre eles a descoberta de um novo biomarcador que se liga à proteína de tau (relacionada à saúde dos neurônios), e a influência dos níveis de irisina na perda da memória.

Publicado em dezembro/2018 no Journal of Nuclear Medicine, o primeiro estudo destacou a ação de um novo radiofármaco que se liga à proteína tau encontrada nos pacientes com Alzheimer, que mostrou ter uma correlação com o déficit cognitivo, o que deve permitir exames com imagens mais detalhadas da extensão da doença. Em um futuro próximo, essa tecnologia poderá propiciar um diagnóstico precoce.

O segundo estudo, realizado por 25 cientistas de diversos países – entre eles, 02 brasileiros –, publicado na revista Nature Medicine, estabeleceu a relação entre o aumento dos níveis de irisina e uma possível melhora na perda de memória causada pelo Alzheimer.

“O mais interessante, neste segundo estudo, é que a irisina é um hormônio produzido naturalmente pelo corpo durante a prática de exercícios físicos.   Ainda se discute muito sobre a prevenção da demência.   Mas, na medida em que avançamos no entendimento da doença, fica mais claro a relação entre a incidência da doença e o estilo de vida.  Exercícios físicos, reeducação alimentar, evitar o tabagismo, dormir bem e estimular o cérebro são hábitos bastante recomendados nesse sentido”, recomenda o psiquiatra André Gordilho.

Apesar de todos os avanços, as informações ainda são insuficientes para o desenvolvimento de um tratamento farmacológico que reverta as alterações neurológicas promovidas pela doença.

“A adoção de hábitos saudáveis com uma dieta equilibrada, sono e prática de exercícios regulares pode promover mudanças na qualidade de vida, melhorando a saúde física e mental.   Outras abordagens terapêuticas, como a estimulação cognitiva, têm se mostrado efetivas, já que contribuem para retardar a evolução da doença e preservar por mias tempo as funções cognitivas”, finaliza o psiquiatra.

SAIBA MAIS SOBRE PSICOGERIATRIA

CUIDADOS NA TERCEIRA IDADE

Segundo dados do IBGE, entre 2012 e 2017, o Brasil passou a ter mais de 30 milhões de idosos, o que equivale a 14% da população brasileira.  Um crescimento de quase 20% em 5 anos.  A expectativa é que em 2050 esse número supere os 60 milhões, o que equivale a 30% de toda população, colocando o Brasil como um dos países com maior população de idosos do mundo.

Envelhecer é um processo inevitável, que acontece em todas as dimensões do ser humano: cronológica, biológica e psicossocial.  Caracteriza-se, principalmente, por uma degradação orgânica e funcional do indivíduo, mas que não decorre de um processo de adoecimento.

 “Existe o pensamento incorreto de que o envelhecimento está associado ao adoecimento.  Mas, o que esperamos é envelhecer de forma saudável, mesmo com algumas limitações funcionais.  É possível manter a independência e autonomia, manter vínculos familiares e sociais adequados, fazer atividades físicas e até mesmo ser produtivo; que não seja trabalhando, mas mantendo-se ocupado, mesmo que em um ritmo mais tranquilo”, explica o psiquiatra André Gordilho.

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